Monday, November 06, 2006

A cultura da inferioridade no Brasil
Por Cassiano Noimann Leal

Ao iniciar esta reflexão, quero fazer uma breve análise sobre os dois temas do título: cultura, tendo uma definição básica dos dicionários como sendo “conjunto de experiências humanas – conhecimentos, costumes, instituições, etc. – adquiridas pelo contato social acumuladas pelos povos através dos tempos”. E, inferior: “que está abaixo; de menor valor, qualidade, importância, etc”.
Pois bem, tendo em vista algumas políticas em atualidade no nosso país, tenho percebido a disseminação da “cultura da inferioridade”.
Exemplificando, posso citar alguns exemplos, como o bolsa-família que dá uma “esmola oficial” às populações com pouca ou nenhuma renda, sem exigir uma contra-partida. As cotas nas universidades para negros são outro exemplo, onde buscando “compensar discriminações históricas”, favorecem a entrada na universidade apenas pelo critério de descendência, independentemente da condição financeira dos favorecidos. E ainda, apenas para não me estender muito, a concessão de gratuidade nas passagens de ônibus aos idosos.
Não quero manifestar-me totalmente contrário a tais projetos, mas sim, considerá-los paliativos, e buscar uma reflexão na busca de analisarmos o que será a tendência de nosso futuro se não houver mudanças efetivas na busca de “novas políticas sociais”.
Penso que o Brasil precisa adotar o quanto antes, como muitos países de primeiro mundo, programas rigorosos de controle de natalidade e planejamento familiar, onde poderiam ser feitas campanhas de “vacinação” com anti-concepcionais modernos a mulheres e homens que quisessem evitar nascimentos não planejados, evitando a médio e longo prazo o atual “ciclo da pobreza” com grandes populações de miseráveis e marginalizados.
A educação pública precisa ser mais valorizada, com melhores salários aos mestres, qualificação dos espaços físicos das escolas com recursos didáticos modernos, inclusão digital, onde certamente proporcionaria um futuro melhor aos brasileiros de todas as descendências e etnias.
Termos reformas previdenciárias estruturadas, bem organizadas e fiscalizadas, onde possamos ter melhores salários aos aposentados e estes possam gozar de seu tempo livre podendo pagar pelos seus gastos, deslocamentos, etc.
Concluindo, acredito que o “auxílio” financeiro às camadas pobres de nossa população precisa ter uma contrapartida de as crianças estarem matriculadas e freqüentando a escola e os pais participarem de programas de planejamento familiar, as cotas em universidades deverão favorecer apenas a população comprovadamente carente sem definição de etnia, como também os benefícios aos idosos.
Assim, talvez num futuro próximo deixemos de disseminar a “cultura da inferioridade”, e possamos nos tornar a sonhada “potência mundial”. Mas, para isso, é preciso vontade política, atitude e organização do dinheiro público, senão continuaremos com desperdícios, corrupções e “dólares nas cuecas” por aí. O Brasil precisa mudar!


Cassiano Noimann Leal é Professor de Educação Física com pós-graduação em Psicopedagogia, Professor da Rede Municipal de Sapucaia do Sul, da Rede Estadual de Educação e Tutor Acadêmico da Escola Superior Aberta do Brasil. www.cassiano.tk - cnleal@terra.com.br

*Artigo publicado no Jornal VS (Vale dos Sinos) de 2/11/2006 pág. 4

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